o monstro

08.02.2011

Como se isso fosse muito fácil.

Cega, não posso ver nada. Se roubam, não há como ver. Se fazem gestos obscenos, não há como ver.
Eu só posso ouvir e sentir. E quem sabe um pouco de intuição me caia bem.

Além de falar, é claro.
Roger, não gosta muito que eu fale. Digo, eu falo demais, porque não sei como me expressar sem ver. Afinal, como posso descrever uma simples brisa se não posso vê-la? Para ele, deve ser muito mais simples. Se bem que ele me disse que a brisa não pode ser vista, apenas sentida.

E ele disse que muitas coisas a gente não pode sentir, mas ver. O céu, por exemplo. Eu tenho muita inveja dele porque ele pode ver o céu.
Mas teve uma vez que ele disse que uma coisa linda mesmo de se ver é o mar. Só que essa eu poderia sentir. Aí ele me prometeu que um dia me levaria à praia pra sentir o mar.

[Roger: com quem você está falando?]

Não se preocupa, ele age estranho com quem não conhece, mas se você se mostrar uma pessoa gentil, não há com o que...

[Roger: ei, com quem você está falando?]

[De repente Roger só vê de relance, uma sombra. Quase engolindo a menina.]

Mas, sabe. Não são muitas pessoas que me escutam. Eu queria muito que você nos acompanhasse a viagem inteira, mas provavelmente o Roger não ia deixar. Ele já tem muito trabalho cuidando de mim.

[Ela sente uma braço puxando ela para muito longe. Ele a coloca nos ombros e corre em disparada. A sombra permanece imóvel, e desaparece com a areia levantada pelo vento.]

Roger?! O que você fez? Aonde ele está?
Você espantou ele? Assim como fez com todos que eu conheci no caminho?

[Roger: sim.]

Por que você faz isso? Eu sei que você é responsável por mim, mas isso não significa que eu não saiba me cuidar. Eu tenho intuição suficiente para descobrir quem é bom e quem é ruim.

[Roger: Você estava conversando com formigas.]

Ah é? Que boba eu sou! Você deve ter me levado rápido porque elas provavelmente iam me levar pro ninho delas. Pelo que você disse é gigantesco e a gente consegue entrar nos túneis, não é?

[Roger: é. Se não fosse tão perigoso eu te levava.]

[Não, sua boba. Você só faz tudo errado e eu insisto em tentar consertar. Você foge de mim e eu insisto em te seguir para ver se está tudo bem. Você mente para mim dizendo que é cega, mas eu sei que você não é. Você diz que não pode me ver, mas eu sei muito bem que você queria. Você esconde esses olhos nessa faixa e eu só posso esperar pelo dia em que poderei ver os olhos azuis que você tem. Você consegue ser odiável, mas eu insisto em te amar.]

2!

. 08.02.2011 [00:38]

Escreva maaais. *-*

Sayonara . 11.02.2011 [03:08]

own, eu gostei dos dois textos (esse e o anterior)! Uma idéia bastante interessante. :D Adoro como você consegue expressar sentimentos e emoções na escrita!
Tô torcendo por mais *-*

:***

ahá





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